Apresentação

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30 de abril de 2015

RÁDIO CIDADE: UMA HOMENAGEM

Esta página não tem fins lucrativos e presta tributo à melhor rádio e ao melhor time de locutores de todos os tempos: a Rádio Cidade.

E de repente, nada mais que de repente, passarinho está deglutindo seres humanos. É o que, meu filho? É o que, minha filha? Legal, chegando por aqui...

Era assim que Eládio Sandoval entrava no ar e alegrava as tardes de FM na Rádio Cidade, há 38 anos. Sandoval foi o precursor de tudo o que viria a seguir na criação de uma nova linguagem, que modificaria para sempre a história do rádio FM no Brasil.

As trocas de horário, brincadeiras, traduções, jeito descontraído de anunciar as músicas, além da liberdade de ser ele mesmo, colocando no ar sua personalidade, seu humor inteligente e singular que fizeram escola.

O slogan, criado por Sandoval, definia bem isso: “Rádio Cidade: fazendo escola em FM”.

Junto com Romílson Luiz, Sandoval criou momentos memoráveis. As mensagens de Natal e Ano Novo; a novela Flash Gordon: o herói do sertão; o sapo Eustáquio e a entrevista com Paul McCartney, que estava preso no Japão por porte de maconha — só para citar alguns deles.

Depois que Sandoval arriscou, abriu caminho para que os demais locutores da Cidade seguissem seu estilo, além de outras rádios do Rio de Janeiro e, por fim, todas as emissoras do Brasil. 

Muita coisa marcou a vida dos ouvintes naquele período inovador e cheio de criatividade. Havia, por exemplo, a saudação inesquecível de Fernando Mansur, quando entrava no ar, feita em cima de uma vinheta da rádio. Ele dizia:

A alegria de estar aqui com você! Diga-me lá, conte-me tudo e não me escondas nada.

Essas e outras frases fazem parte da memória afetiva de uma legião de ouvintes, que lembram com saudade da rádio que mudou a vida de muita gente.

A Cidade foi ao ar pela primeira vez em um domingo, no 1º de maio de 1977. Depois desse dia, a rotina do carioca jamais seria a mesma. Assim como a história do FM no Brasil.

Na orelha do livro “O Sucesso da Cidade”, de Fernando Mansur, Scarlet Moon disse que o rádio é uma espécie de “chiclete de ouvido”, uma mania, um vício… Está em todo lugar.

E foi justamente isso que aconteceu com a Cidade. Foi chamada de “Eco do Rio”, já que em lojas, carros e casas, lá estava ela e o seu timaço de locutores.

A Rádio Cidade inovou, modificou hábitos e abriu caminho para bandas e cantores. Mudou completamente o mercado da publicidade, revolucionou todos os padrões com uma linguagem inovadora e uma programação musical contemporânea.

Além de ser uma homenagem à melhor rádio que existiu no Brasil, é uma fonte de consulta para estudantes de comunicação, que muitas vezes não recebem na própria universidade informações sobre a origem do FM, e muito menos sobre importância que a Cidade teve para que ele chegasse até aqui.

Os criadores deste site muitas vezes sentiram-se indignados com a falta de material sobre o tema nas instituições de ensino e cursos profissionalizantes na área de comunicação e rádio.

A brilhante monografia da jornalista Érika Carvalhosa está disponível no menu “História”, e conta tudo sobre a criação da Rádio Cidade. É um material formidável para quem estuda e deseja saber mais sobre o rádio FM no Rio de janeiro.

É importante conhecer o início. O que existe hoje no FM, e até em alguns programas de TV, foi deflagrado com a Rádio Cidade. O papo descontraído, a informação e a identificação do público com a personalidade do apresentador, hoje comum nas emissoras de rádio e canais a cabo, é fruto da revolução iniciada pela Cidade no final dos anos 70.

Era a época da Ditadura. Em meio à censura e ao surgimento de um novo ritmo, chamado de “Disco Music”, surge a Cidade. Além de sucessos que incluíam a MPB, a programação da rádio tinha flashbacks e Beatles.

Nos anos 70, Big Boy era o grande ídolo da juventude no AM, fazendo história na Rádio Mundial e tocando os lançamentos das paradas norte-americana e inglesa.

Nessa época, surgiu no Brasil a “Revista POP”, que trazia em suas páginas tudo o que acontecia na música, nas praias e no cenário cultural. Cada número era devorado pelos adolescentes, que não tinham Internet à época, e a quantidade de informações disponíveis hoje em dia..

A Rádio Cidade surge no meio deste cenário, com o dinamismo do AM, uma linguagem informal, qualidade de som superior e informações que só eram encontradas em revistas como a POP.

Dicas de lazer, cultura e notícias. Programação musical contemporânea e aquele contato com o ouvinte, como se o locutor fosse um velho amigo.

O time da Cidade, escolhido pelo saudoso Carlos Tonwsend, seu primeiro coordenador, era criativo e se tornou lendário. Até hoje, Eládio Sandoval, Fernando Mansur, Romílson Luis, Paulo Roberto, Ivan Romero, Jaguar e Sérgio Luís são lembrados com reverência.

O segundo time, trouxe novos locutores como Marco Antônio e Paulo Martins (1955 /2003), que chegaram 2 anos depois, além de “Barbosinha” ( o Francisco Barbosa), Maurício Figueiredo (1943/2012), Luciano Durso, Cacá, Mário Lúcio, Jorge Márcio e, em 1984, a primeira locutora da Cidade RJ: Monika Venerabile.

Uma soma de experiências e talentos. Monika foi pioneira, já que apenas a Cidade de SP havia tido uma voz feminina, com Celene Araújo.

Em 1984, houve o retorno de Eládio Sandoval à Cidade, de onde havia saído em 1981, com Romílson Luis. Juntos fundaram a Rádio Antena 1,  também no Rio. O retorno de Sandoval foi muito comemorado pelos fãs e trazia um pouco do início da Cidade : Paulo Roberto, Mansur, Jaguar  e Paulo Martins.

A super festa feita no Maracanãzinho para marcar esse novo tempo ficou na memória, e teve a performance de Michael Jackson cover, e a mensagem de aniversário “A Vida Pede Bis”, com letra de Sandoval.

O carinho e fidelidade dos ouvintes eram as maiores provas do quanto a rádio estava presente e do quanto era importante no dia-a-dia das pessoas. Quem não se lembra do “sapo Eustáquio”, bichinho de estimação do Sandoval? Ou do “Como é que é, gente boa”, na voz do Romílson Luiz? Ou do “Marcianito e o “Galo”, do saudoso Paulo Martins?

Paulo acabou ganhando este apelido após colocar no ar, logo de manhãzinha, a gravação de um “cócóricó”, tirado da faixa de um disco dos Beatles.

Fernando Mansur era sinônimo de Rádio Cidade, com seu “Jornal do Ouvinte”. Um verdadeiro “poeta da locução”, que entrevistava as estrelas com inteligência, simpatia e bom astral.

A programação musical do genial Beto Carvalho foi importantíssima para que a Rádio Cidade se tornasse líder e emissora à frente do seu tempo. Nunca houve tanta gente boa e tantos talentos reunidos num só lugar.

Orquestrando tudo isso, Cléver Pereira, coordenador da Cidade após a saída de Carlos Townsend, e responsável por um momento ímpar: a criação da mensagem de fim de ano “Trenzinho Caipira Novos Tempos”, feita a partir de um dos quatro movimentos da Bachiana de Villa-Lobos, com arranjo do maestro Eduardo Souto Neto e participação do grupo Roupa Nova.

Aqui, nossa homenagem aos ouvintes, fãs, radialistas, DJs, amigos e a todos do Jornal do Brasil, que nos anos 70 e 80 tornaram nossas vidas mais alegres e nosso mundo melhor!

Música, talento, criatividade, profissionalismo e, acima de tudo, amor à profissão e à rádio que deixou saudade.

Este site é uma iniciativa de Mário Azevedo, Carolina Sandoval (coordenadores); Rosangela e Paula Martins; Rui Taveira; Érika Carvalhosa e Waldyr Tavares; e conta com a colaboração e apoio inestimáveis de Clever Pereira.

Nossos agradecimentos a Luciano Durso e Vika Barcellos, cujas belas vozes estão nas vinhetas de homenagem.

Dedicamos a página à memória de Paulo Martins, Maurício Figueiredo e Carlos Townsend.

Texto Mario Azevedo
Revisão Mehane Albuquerque.

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